Boa tarde leitores!!
Desde os primordios da humanidade o homem sofre por causa do mal.
Mas o que é o mal? E o que causa o mal? E o que devemos fazer para vencer o mal?
Estas são perguntas que queremos respondidas e aqui quero compartilhar com vocês o meu trabalho filosófico sobre o mal visto pela visão do grande Teólogo e Filósofo Santo Agostinho:
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SANTO AGOSTINHO E O PROBLEMA DO MAL
Vinícius Malta Vieira*
Resumo: Agostinho, grande teólogo e filósofo muito se atentou para o problema do mal na humanidade. Ele conseguiu resolver o problema do mal retirando a causa de Deus e dizendo que o mal é o fruto da má escolha que mediante o livre-arbítrio fazemos. Para ele o mal é a ausência do bem e somente o amor vence o mal. Seu pensamento é de grande importância para a humanidade.
Palavras-chave: Mal, livre arbítrio, Deus, Agostinho
1 O que é o mal?
Agostinho muito se inquietava com a problemática do mal. Quando lemos suas obras vemos que grande parte da sua vida e obra foi dedicada a este problema e que seu esforço não foi em vão. Seu pensamento é de suma importância tanto para o campo da Teologia como para o da Filosofia. Ele tenta conciliar, no campo da reflexão racional, essa contradição entre a bondade de Deus com a existência dos males presentes no mundo.
Para Agostinho a humanidade foi criada por Deus e ele foi o criador de todas as coisas e que ele é o Bem Supremo, como descreve na sua obra A natureza do bem:
Deus é o Bem Supremo, acima do qual não há outro: é o bem imutável e, portanto, verdadeiramente eterno e verdadeiramente imortal. Todos os outros bens provêm d’Ele, mas não são da mesma natureza que Ele. [...] qualquer que seja o seu grau na escala das coisas, não pode proceder senão de Deus (AGOSTINHO, 2006, p. 3).
Visto que Deus todas as coisas fez e que nada procede senão dele, como explicar o mal? Para Agostinho Deus é perfeito e dele não pode vir nada imperfeito. Ele parte deste pressuposto para fundamentar seu pensamento. O mal, enquanto natureza imperfeita, que aflige tanto a humanidade não tem a sua origem em Deus. Logo o Mal não é, ou seja, é um não-ser, algo que não existe e, portanto, não foi criado.
Para Agostinho o Mal é a ausência do bem, ou seja, a privação do bem. O Mal seria uma imperfeição, ou privação do bem absoluto.
Afirma Agostinho, nas Confissões, (1999, p. 190) que procurou o que era a maldade e não encontrou uma substância, mas sim uma perversão da vontade desviada da substância suprema (VIEIRA, 2007, p. 5).
O mal não existe como substância, como acreditavam os maniqueus, e sim como a falta dela, ou seja, a falta do bem.
2 O livre arbítrio e a causa do mal
O homem foi criado por Deus e dele recebeu uma dádiva: A razão.
Além dos anjos, o homem é o único ser que tem uma alma dotada da faculdade da razão. Por isso, ele é superior aos outros animais, podendo, até, dominá-las (BELLEI; BUZINARO, 2010, p. 88).
Podemos caracterizar a criação divina em três tipos: os seres que existem, os que vivem e os que pensam. Alguns seres possuem apenas uma característica, como os minerais que apenas existem. Outros seres possuem duas características como os animais que existem e vivem, mas somente o ser humano possui as três características e isso o faz um ser único.
Deus em sua infinidade sabedoria deu ao homem o livre-arbítrio, ou seja, a liberdade de escolhas para que este através da razão escolhesse viver em retidão e obediência para que assim Deus e o homem vivessem em perfeita harmonia e comunhão. Mas um dia o primeiro homem (Adão) desobedeceu a Deus quando comeu do fruto da árvore proibida e assim se tornou conhecedor do bem e do mal. Agostinho acredita que esta escolha foi o que resultou no mal e fez com que houvesse afastamento entre o criador e a criatura. O mal nada mais é do que a escolha errada das coisas e esta se dá através do livre arbítrio da vontade. Para ele a causa de todos os males está na vontade e não na natureza do ser.
Logo, é a vontade desregrada a causa de todos os males. Se essa vontade estivesse em harmonia com a natureza, certamente esta a salvaguardaria e não lhe seria nociva. Por conseguinte, não seria desregrada. De onde se segue que a raiz de todos os males não está na natureza (AGOSTINHO, 1995, p. 206).
É a vontade do homem que quando corrompida o leva a pecar e Agostinho vai chamar esta vontade de mal moral ou seja, o pecado. Então concluímos que a causa do mal é o pecado.
3 Consequência do mal
O mal aflige o ser humano desde os primórdios da humanidade e traz consigo dor. Doenças, sofrimento e morte, ou seja, mal físico é a consequência do mal moral e a corruptibilidade do corpo não é a causa mas pena do primeiro pecado (Cf. BELLEI; BUZINARO, 2010, p. 87). Na humanidade os reais valores que devemos seguir como: respeito, amor, perdão e etc. têm sido cada vez mais trocados por outros valores como: vingança, inveja, traição e etc. e com isso as pessoas se tornam egocêntricas e egoístas, se deixando levar pelas paixões deste mundo e esquecendo que a verdadeira felicidade, como diz Agostinho está em Deus.
Cada vez que o homem peca, ou seja, faz o que é mal ele está sujeito a sofrer as consequências pelo seu erro. O homem se tornou escravo do pecado. O mundo atual está em decadência moral, pois ao se afastar de Deus o homem se tornou um ser ambicioso, ganancioso e brutal (Cf. VIEIRA, 2007, p. 3).
Para Agostinho o homem é o total responsável pelo mal (pecado) e que cada um é livre para escolher se deve ou não pecar.
Cada um é responsável pelo que recebeu. Portanto, se o homem tivesse sido criado de tal modo que pecasse inevitavelmente, seu dever seria pecar. E ao pecar, tanto, faria o que devia, e não faria senão seguir a lei da natureza. Mas já que seria crime falar dessa maneira, segue-se que ninguém é obrigado por sua natureza a pecar. Tampouco é obrigado a ser levado por uma natureza alheia, porque ninguém peca sujeitando-se ao que não quer, por própria vontade. Com efeito, caso se sujeitar justamente a isso, seu pecado não está em que se sujeitou contra sua vontade. Mas só peca quando age voluntariamente, de maneira a dever padecer com toda justiça o que não teria querido sofrer. Pois por outro lado, se o aceitasse injustamente, como pecaria? Efetivamente, o pecado não consiste em suportar alguma coisa injustamente, mas sim em praticar algo injustamente. Posto que ninguém está forçado a pecar, nem por sua própria natureza, nem pela natureza de outro, logo só vem a pecar por sua própria vontade (AGOSTINHO, 1995, p. 202-203).
Para Agostinho não há outra condição que leve o homem há pecar senão sua própria vontade. Cada um responde por si e Deus julga o homem conferindo-lhe castigos e penas, conforme seus atos (Cf. COUTINHO, 2010, p. 129).
4 Como vencer o mal
O mal deixa os homens infelizes e isto vai contra qualquer vontade humana. O ser humano anseia incansavelmente pela sua felicidade, mas esta só acontece quando estamos bem, conosco e com o mundo ao nosso redor. Mas como então ser feliz em um mundo tão cheio de mal? Como vencer o mal? Agostinho acredita que só o amor é capaz de tal feito. Para Agostinho a felicidade tem origem no amor e quando o homem ama possui em si a felicidade e este amor vem de Deus (Cf. VIEIRA, 2007, p. 6).
O homem é um ser que precisa viver em amor. Mas para Agostinho até este amor pode se tornar mal se não for dado na medida ou intensidade certa. Para ele o amor deve ser para amar o que merece ser amado. Ele acredita que,
Vive justa e santamente quem é perfeito avaliador das coisas. E quem as estima exatamente mantém amor ordenado. Dessa maneira, não ama o que não é digno de amor, nem deixa de amar o que merece ser amado. Nem dá primazia no amor àquilo que deve ser menos amado, nem ama com igual intensidade o que deve amar menos ou mais, nem ama menos ou mais o que convém amar de forma idêntica (AGOSTINHO, 1991, I, 27, 28).
Para Agostinho o amor faz o homem feliz, mas o homem não pode tornar-se feliz se essa felicidade não vier de Deus, não for dada por ele. Ele acredita que só o amor vence o mal e este na medida certa. Para ele só ao vencermos o mal que encontraremos a felicidade e é Deus quem nos ajuda neste processo e nos faz felizes.
Conclusão
Agostinho acredita que o mal é a ausência do bem e que este por ser ausência não existe em si, ou seja, não é matéria como acreditava Plotino e os maniqueus, mas sim a falta desta.
Para Agostinho o mal não faz parte da natureza humana, pois fomos criados por Deus e tudo o que por ele foi feito é bom. Ele acredita que cada ser humano é dotado de razão e isso o faz único. Para ele é através desta razão que o homem pensante pratica o mal. O mal para ele é fruto das nossas escolhas erradas, que através do livre arbítrio da vontade praticamos. Devemos fugir do mal, pois este trás consigo sérias consequências.
Para este grande pensador só o amor é capaz de vencer o mal e é o amor caminho para encontrarmos a felicidade, felicidade esta que só Deus dá.
Bibliografia
AGOSTINHO. A Natureza do Bem. Tradução de Carlos Ancêde Nougué. Rio de Janeiro: Sétimo selo, 2006.
______. O livre-arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995.
______. A doutrina cristã: Manual de exegese e formação cristã. São Paulo: Paulus, 1991.
VIEIRA, Carlos Alberto pinheiro. O problema do mal em Santo Agostinho. João pessoa: UFPB-CCHLA, 2007.
BELLEI, Ricardo J.; BUZINARO, Délcio Marques. O livre-arbítrio e o mal em Santo Agostinho. Mirabilia, v. 11, Jan-Jun/2010, p. 81-98.
COUTINHO, Gracielle Nascimento. O livre-arbítrio e o problema do mal em Santo Agostinho. Argumentos, Ano 2, n. 3, jan./jul. 2010, p. 124-131.
* Graduando em Filosofia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).E-mail: viniciusmalta@ig.com.br.
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