24 de fevereiro de 2012

O místico segundo Wittgenstein

 
WITTGENSTEIN E A TRANSCENDÊNCIA DA LINGUAGEM:
O CAMPO MÍSTICO NO TRACTACTUS LOGICO-PHILOSOPHICUS

Marcelo Meira Alves*
Vinicius Malta Vieira**

Resumo: O grande filósofo do século XX Ludwig Wittgenstein, se preocupou com o estudo da linguagem, seus limites e sua transcendência, a essa transcendência deu o nome de místico. O campo místico é aquele inefável que mostra aquilo que a linguagem não consegue exprimir. A ética e a religião estão intimamente ligadas ao místico, e é nele que o ser humano encontra o sentido para vida, onde as palavras não se tornam mais necessárias. A experiência sublime realizada no místico não pode ser dita, apenas se mostra. E diante de tais questões deve-se manter o silêncio.

Palavras-chave: Linguagem. Limites. Místico. Inefável. Silêncio.
           

1 Introdução

Ludwig Wittgenstein, filósofo austríaco, foi um dos grandes pensadores do século XX, conhecido pelo mérito de sua mais conhecida obra o Tractatus Logico-Philosophicus (TLP) de 1921. Tendo em conta a relevância de seu pensamento para filosofia, este contribuiu com a lógica, filosofia da linguagem, filosofia da mente, dentre outras. No Tractactus, Wittgenstein aborda como a linguagem consegue representar o mundo, sendo que esta se encontra limitada. Ludwig acredita que quando os limites da linguagem são ultrapassados aí se dá o místico.
O Tractactus Logico-Philosophicus foge dos generos comuns a textos de filosofia. O leitor ao ter o primeiro contato com o Tractactus se encontrará diante de um texto complexo, onde sentenças são colocadas em forma de aforismos, que por sua vez não são organizados de acordo cada tema, como por exemplo, o leitor encontrará no aforismo 3.032 uma abordagem acerca da linguagem, que por sua vez, será apresentado novamente no aforismo 3.343 mostrando a preocupação do autor em não manter um ordenamento nas sequencias dos tópicos, para evidenciar a importância de cada proposição.
A princípio o objetivo de Ludwig no Tractactus Logico-Philosophicus é explicar de que maneira a linguagem pode descrever o mundo, através das proposições representar os estados de coisas,e a partir do momento em que não se consegue expressar algo por meio da linguagem representativa do mundo, este terá ultrapassado os limites da linguagem e segundo Wittgenstein ter-se-á alcançado o campo da mística, aquele que é inefável.
No aforismo 6.522 do Tractactus, Wittgenstein vai explicitar a questão mística, “Há por certo o inefável. Isso se mostra, é o místico”. O místico poderá se revelar, mas não se exprimir, sobretudo em forma de linguagem, é o inefável, o inexprimível. Em outro aforismo ainda, ele colocará em questão a ética como um valor que não se deixa ser expresso em proposições, sendo dessa maneira transcendente. Ele também irá propor uma associação entre o místico e Deus, que a solução para os problemas dos fatos não está no mundo nem mesmo a ser encontrada por meio da linguagem, mas fora dele, dessa maneira Deus encontra-se nessa posição de silêncio (místico).
Wittgenstein encerra seu livro com o aforismo 7 que resume e explica o místico, sendo este seu objetivo final, o limite da linguagem, o dizível, apontado nos aforismos anteriores, “Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar.”

2 A linguagem como representação do mundo

O tema central do Tractactus Logico-Philosophicus é a tentativa de explicar o mundo através da linguagem. Para ele, a mais importante questão era “o que pode ser dito?”. Ludwig acredita que é possível uma linguagem perfeita tendo como base à lógica e que uma proposição é uma representação figurativa dos fatos onde através dela é capaz de representar um estado de coisas real ou possível.  Wittgenstein, no aforismo 1-1.1 aborda aspectos ontológico tais como: “O mundo é tudo que é o caso, o mundo é a totalidade dos fatos”. Sendo o mundo tudo o que é caso, ou seja, fato (tudo o que é contingente) afirma-se que não existe um mundo de coisas, mas da coisa inserida em um fato, sendo tudo o que é pensável é possível, mesmo que este pensável não seja possível em mundo real, o será em um mundo imaginário (Ex. Fada: não existe em um mundo real, mas existe no mundo da fantasia). Ao dizer livro não tem um sentido propriamente dito, somente um conceito, mas ao dizer o garoto está lendo o livro, à sentença é dotada de sentido, pois esta está inserida em uma totalidade de fatos e esta ligação entre os objetos pode ser entendida como estado de coisas.

A referência no Tractatus aos estados de coisas aparece logo no aforismo dois, quando o seu autor lida com a definição do que é o caso. As proposições 2.01 e 2.072 explicam que os estados de coisas originam-se de combinações ou configurações de objetos, posto que estes se articulam e se firmam no interior daqueles à maneira dos elos de uma corrente. Ademais, Wittgenstein afirma que os estados de coisas são independentes entre si e a existência de um não implica ou depende da existência de outro. Segundo a teoria tractatiana, no mundo fático não existe necessidade, apenas possibilidade (OLIVEIRA, 2009, p.55)

            “O estado das coisas pode ser entendido como sendo a constante modificação que ocorre com todas as coisas existentes em decorrência das relações entre essas coisas” (SILVA, Jeferson Luis da. Filosofia da linguagem: Ludwig Wittgenstein. Em: www.jeferson.Silva.nom.br. Acesso em: 14  janeiro  2012.)
A totalidade dos fatos é algo que tem uma implicação para linguagem, e esta por sua vez, se dá através do pensamento que extrai do mundo os fatos.
Com base na ontologia de Wittgenstein que faz a representação do mundo através dos fatos, há também a representatividade da realidade que se dá através da relação mundo, pensamento e linguagem. O homem segundo Wittgenstein é capaz de representar o mundo através de proposições que correspondem à realidade. Como no aforismo 4.021: “A proposição é uma figuração da realidade: pois sei qual é a situação por ela representada, se entendo a proposição. E entendo a proposição sem que seu sentido me tenha sido explicado”.
A linguagem é, portanto o conjunto formas lógicas explicadas através de proposições possíveis para representar os fatos.

2.1 Limites da linguagem

Para Wittgenstein a linguagem, assim como o pensamento deveria ter limites, ou seja, ele pretendia estabelecer uma linha que dividia o que pode ou não ser pensado e até que ponto a linguagem pode expressar o pensamento. No Tractatus ele expressa essa ideia e deixa claro que há coisas das quais não se pode falar, pois elas não estão no campo do dizível, mas apenas se mostram a nós. Imaginemos uma experiência religiosa na qual a pessoa que está participando diz ter vivido momentos sobrenaturais na qual não consegue explicar ou descrever. Esta experiência se mostra a essa pessoa e o autor acredita, como citado no aforismo 4.1212 que “o que pode ser mostrado não pode ser dito”. Wittgenstein acredita que quando não se consegue expressar algo por meio da linguagem representativa do mundo, esta já tenha chegado a seu limite e que a ultrapassagem deste limite se dará o campo místico.

3 Campo místico: além dos limites da linguagem

Tendo a linguagem alcançada seus limites, Wittgenstein afirma que esta terá se alcançado o campo místico, cujo aquele é o inefável[1], inexprimível, que pode ser mostrado, mas não pode ser dito. A palavra Mística do latim mysticus, do grego mystikósé algo relativo aos mistérios [...] crença na existência de uma realidade sobrenatural e misteriosa, acessível apenas a uma experiência privilegiada (o êxtase místico) uma intuição ou sentimento de união com o divino, o sobrenatural, o misterioso (Cf. JAPIASSÚ; MARCONDES, 2008, p.189).
Segundo o autor do TLP, o místico é algo que só conseguiremos atingir, ou o abandono da escada após ter subido por ela, quando tivermos a consciência de não conseguirmos mais compreender as proposições representativas do mundo. Só após essa consciência sabemos que alcançamos os limites da linguagem para então entramos no campo da mística.
No aforismo 6.522 o autor afirma que “Há por certo o inefável. Isso se mostra, é o místico. colocando em questão a inefabilidade da mística, que se mostrará ao homem exceto pela linguagem.

[...] O místico aparece como aquilo que se refere ao que do mundo. O místico é o espanto, o assombro diante da ideia de que há mundo e de que a expressabilidade de sua existência é totalmente absurda. (SPICA, 2010, p.115).

Como falar da natureza do mundo através da linguagem? Como expressar a existência? Para uma resposta que não se pode formular, tampouco se pode formular a questão. (TLP- 6.5, p.279). Para ele se não temos como responder uma questão que esteja além dos limites da linguagem, essa pergunta não pode ser feita. Por isso qualquer tentativa de expressar a existência será absurda. Ele critica o ceticismo quando diz que “o ceticismo não é irrefutável, mas manifestamente um contra-senso, se pretende duvidar onde não se pode perguntar.” (TLP- 6.51, p.279). Sobre questões como a existência, Deus e mundo são no campo místico que se deve encontrar refúgio.
Quando o ser humano se refugia no místico acaba descobrindo que a experiência mística é algo sublime, que não poderá ser compartilhado. O indivíduo que alcança o místico entra em estado de silêncio, pois contempla algo maior que o estado de coisas (pois está fora dele). Este sentimento de contemplação é algo inexprimível e se mostra como uma atitude que a razão não consegue explicar. Wittgenstein em conversa[2] com seu amigo Engelman acerca do poema do poeta alemão Uhland, coloca em questão como por meio do dizível podemos expressar algo indizível com a frase: “O inexprimível se mostra de maneira inexprimível naquilo que é expresso”. Como colocado em outros parágrafos do presente artigo, o místico é inefável e não conseguiremos expressa-lo sob forma de linguagem, no entanto, Wittgenstein como foi apresentado acima, vai apontar como as experiências místicas vão-se fazer presentes no mundo, mesmo que não colocados em linguagens.
Portanto, segundo o filósofo Wittgenstein, o místico é uma dimensão sublime, quem nela estar, se encontrará em estado de silêncio, onde a inefabilidade é uma característica fundante e nesta dimensão transcendental ao mundo dos fatos é onde se encontrão respostas como, por exemplo, para questões existências, que não serão encontradas em outro lugar senão no campo místico.

3.1 Sentido do mundo deve está fora dele

O sentido para o mundo segundo Wittgenstein no Tractactus Logico-Philosophicus não está no mundo, mas fora dele. No aforismo 6.44 do Tractactus, Ludwig vai abordar que “o místico não é como o mundo é, mas que ele é”, afirmando que o místico não é como mundo é, vai colocar em questão de que o mundo é possibilidades, e ao expressar, mas que ele é o autor coloca em questão de que o místico é a percepção do mundo. Este que do mundo pode ser entendido como uma das questões fundamentais para o campo místico. Os humanos, desde os tempos antigos deram nomes aos objetos e definições a cada um, segundo lhe coubesse e estes nomes se tornaram conceitos universais. Hoje quando se pensa no objeto cadeira, o pensamento já nos dá a ideia de cadeira (como percebemos), pois cadeira sempre terá sua essência, não importa quão detalhada ela seja. Mas para Wittgenstein, quando falamos em mundo não temos como conceituá-lo, pois estão além do limite da linguagem.
Cientificamente estamos procurando possibilidades para explicar o mundo, enquanto questionadores que somos, vivemos a procurar o sentido para sua existência, é nesse momento de questionamento que nos deparamos com o místico. É no campo místico que o homem se refugia, pois acredita que além do que se pode ver, há algo muito maior. O ser humano anseia por um sentido para sua vida, mas não sabe que,

O sentido do mundo deve estar fora dele. No mundo tudo é como é e tudo acontece como acontece; não há nele nenhum valor – e se houvesse, não teria nenhum valor. Se há um valor que tenha valor, deve estar fora de todo acontecer e ser-assim. Pois todo acontecer e ser-assim é casual. O que o faz não casual não pode estar no mundo; do contrário, seria algo, por sua vez, casual. Deve estar fora do mundo (TLP-6.41).

Na citação 6.41 do Tractactus Wittgenstein colocará em questão a importância da dimensão mística, que ocupa um lugar para as explicações do mundo, mesmo que esta não se nivela ao mundo factual.
Conforme o aforismo 6.521 “Percebe-se a solução do problema da vida no desaparecimento desse problema”. De acordo a abordagem de Wittgenstein só nos damos contas do desaparecimento dos problemas do mundo dos fatos quanto os mesmos já não estão presentes e mesmo assim não conseguiremos explicá-los em forma de linguagem, pois estes foram encontrados em um campo sublime sob o qual cada um terá sua própria experiência ou respostas para os problemas existenciais. É no campo místico, o inefável, que nos refugiamos para buscarmos as soluções dos problemas da vida.

“Assim, o místico tractatiano se identifica com a porção indizível e única capaz de fundar as ações humanas e de dar sentido último à vida do homem e à existência do mundo (OLIVEIRA, 2009, p. 90).

Enfim, a vida se torna mais fácil quando descobrimos um sentido para ela e é a partir de então que conduziremos nossas ações. Este sentido se encontra no campo místico, mas é impossível de ser descrito.

4 A ética se faz presente no místico
           
A ética é um conjunto de valores que orientam cada individuo e que por
ela será regido a agir. A ética é individual e se dá no campo místico, pois as questões éticas não se fazem presentes nos fatos, mas para além deles. Na ética não existem proposições, pois não há como representar uma experiência realizada no campo místico.

Suponhamos que haja proposições éticas. Como tais, elas devem ser capazes de exprimir o que há de mais elevado, a saber, os valores e, por meio deles, o sentido da vida. Ora, isso só seria possível se os valores fizessem parte do mundo. Todavia, se isso acontecesse, os valores seriam fatos. Nesse caso, eles seriam meramente acidentais e não teriam valor algum. Portanto, as proposições éticas são impossíveis. Isso não significa, contudo, que a ética não exista. Na verdade, ela aponta para algo que, embora seja importante em nossas vidas, não se deixa exprimir (PINTO P. R. M., 2009, p. 236).

Para Wittgenstein a ética tem como objetivo esclarecer o sentido da vida e é ela que deve orientar a maneira correta de viver. O filósofo austríaco adjetiva a ética como dotada de valores relativos ou absolutos. Quando digo que determinado objeto é bom, uso de um valor relativo, baseado em experiências empíricas para provar tal proposição. Quando digo que a minha escrivaninha é boa, tomo como base qualidades, tais como, durabilidade e conforto. Estas são propriedades que poderei prová-las empiricamente. Diferente dos valores relativos, os valores absolutos tomarão como base os valores éticos, baseados nas experiências místicas, conforme o aforismo 6.42 do Tractatus: “É por isso que tampouco pode haver proposições na ética. Proposições não podem exprimir nada de mais alto”.
Quando estudo o dever (atitude ética) do homem não tenho como explicar através de proposições, pois, este dever se encontra no campo místico e se faz inefável. Da mesma forma quando se trata de um problema moral que atinge a humanidade o mesmo não tem sua resolução no mundo dos fatos, mas para além deles.
Desta maneira a ética é um valor absoluto segundo Wittgenstein, como explicitado no aforismo 6.421, “É claro que a ética não se deixa exprimir. A ética é transcendental”. Sendo assim, a ética não poderá se exprimir por meio da linguagem, pois esta é inefável.

5 Deus como uma questão mística

Como abordado anteriormente no decorrer deste artigo, aquilo que está para além do mundo dos fatos, se faz presente no místico isto já é nítido. E vale ressaltar que questões como a ética e a religião fazem parte desta dimensão sublime. “Wittgenstein vai colocar Deus como um conceito de absoluto, que faz parte do místico e como tal não pode ser explicado como se explica um fato do mundo”, segundo Marciano Adílio Spica.

Deus e ética, por outro lado, estão fora desta esfera capaz de ser representada pela linguagem factual. Optar pelo mandamento divino é optar pelo fim de tentativas equivocadas do racionalismo de compreender conceitos éticos e religiosos como se fossem fatos capazes de serem figurados por uma linguagem significativa (SPICA, 2010, p. 121).

A questão religiosa não poderá ser explicada, pois ela é inefável, mais muito além da inefabilidade e de não poder representá-la na linguagem que representa os fatos do mundo, ela se mantêm em um patamar em que a razão não poderá alcançar. Não caberá a nós encontrar respostas às questões religiosas nos fatos e tão poucas explicá-las, apenas demonstrá-las.
Os problemas levantados pelo ser humano a cerca da existência, que por sua vez não serão encontrados no mundo, mas fora dele, sobretudo na relação religiosa para justificar certos problemas, para Wittgenstein é neste momento que haverá uma ligação entre o individuo e Deus (Altíssimo). O individuo que buscará suas soluções em Deus no místico, mas Deus não se revelará nos fatos, como expõe Wittgenstein nos aforismos 6.432 e 6.45 do Tractactus:

Como seja o mundo, é completamente indiferente para o Altíssimo. Deus não se revela no mundo. Os fatos todos fazem parte apenas do problema, não da solução. O Místico não é como o mundo é, mas que ele é. A intuição do mundo sub specieaeternié sua intuição como totalidade – limitada. O sentimento do mundo como totalidade limitada é o sentimento místico (TLP-6.432-6.45).

Wittgenstein acredita que é na crença em Deus que se descobre o sentido da vida. Para ele é em Deus que encontramos esperança para viver. O autor desde a sua juventude era religioso e acreditava que a fé muda à vida das pessoas e sua maneira de viver, que esta mudança está além das palavras, pois se encontra na prática e se mostra a cada dia. Para ele essa mudança deve ter mais efeito do que nossas palavras. Todos, frente a um problema, temos o livre-arbítrio de fazermos escolhas boas ou escolhas más e para Wittgenstein a bondade vem de Deus, então para fazermos escolhas certas devemos depender dele.
O autor não vê a religião somente como um conjunto de orações ou práticas religiosas, mas como uma mudança de vida na qual as ações devem se mostrar a cada dia. Ludwig acredita que Deus é soberano, e independente de como o mundo esteja ele sempre será Deus e sua vontade sempre deve ser feita. Somente através deste cumprimento seremos felizes e viveremos em amor. Conforme o aforismo 6.432 “Deus não se revela no mundo”, pois está além dele. Assim como a ética e a religião não pode ser dito através de fatos e não pode ser explicado de forma racional ou científica, pois está no campo místico. Sobre o que não podemos falar, devemos manter respeito.

6 Sobre aquilo que não se pode falar, deve-se calar
           
O filósofo Ludwig Wittgenstein encerra o Tractactus com o aforismo 7 que explicita “sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar”. Desta maneira, a ética, a religião e o místico se tornam absurdos quando tentamos explicar usando a linguagem e temas como estes, não devem ser deixados de lado.

Ao decretar que as proposições sobre o místico, sobre Deus, sobre a ética e sobre a estética são todas absurdas do ponto de vista dos requisitos lógicos para a construção de proposições significativas, Wittgentein não está descartando os "objetos" dessas proposições como coisas grotescas ou sem importância. Ao contrário, está sugerindo que a ética, a estética e a dimensão mística são transcendentes - não estão ao alcance de nossa linguagem. Desse modo, a melhor atitude em relação a essas coisas transcendentes seria a de manter um respeitoso silêncio (WIKIPEDIA, 22/01/2012).

As experiências místicas que se fazem inefáveis, nos faltam as palavras, neste momento do ápice místico quanto mais perto estamos de Deus, de encontramos respostas aos problemas do mundo, é que entramos em estado de silêncio e desta maneira mantemo-nos calados frente aquilo que não podemos falar.

7 À guisa de conclusão

Desta maneira o intuito principal do presente artigo, foi abordar a questão mística segundo o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein com base na sua obra Tractactus Logico-Philosophicus.
Abordamos no primeiro momento as questões relacionadas à linguagem, que se fazem presentes no mundo, representando o mesmo por meio de proposições. Colocamos ainda que, de acordo o aforismo 1.1 “o mundo é totalidade de fatos e não das coisas” e que a linguagem tem assim os seus limites, concluindo o que autor do TLP entende por linguagem.
Em seguida foi colocada a questão da ultrapassagem dos limites da linguagem, que quando realizada esta ultrapassagem por não conseguir explicar as questões do mundo dos fatos, é que sentimos a necessidade do rompimento dessa barreira, para então chegarmos ao campo místico. Sendo o místico inefável, inexprimível, sublime, ele aparece como aquilo a que se refere ao que do mundo (Cf. SPICA, 2010, p. 115), o refugio do ser humano quando não encontram respostas no mundo factual.
As questões existenciais, tais como o sentido da vida, que por sua vez não poderá ser explicada cientificamente tem sua resolução segundo o autor do Tractactus no campo místico, pois esse sentido esta fora do mundo. Depois de encontrada o sentido para vida, esse sentido é impossível de ser transmitido por meio de linguagem para o mundo dos fatos, mas através da ética, que é transcendental e se faz presente no místico, que este sentido será esclarecido e seremos orientados a agir corretamente. Daí se da explicação de que o místico não se diz, mas se mostra.
Enfim, concluímos o artigo fazendo uma abordagem da questão religiosa presente no místico. Wittgenstein por ser religioso, acredita que é em Deus que descobrimos o sentido para vida. Para ele a religião é mais do que um conjunto de doutrinas, é algo que deve ser mostrado por meio da prática e que através dela deve haver uma mudança de vida. Conforme foi abordado Ludwig afirma que Deus não se revela no mundo, pois está além do mesmo e que assim como a ética, a religião não pode ser explicada. Portanto devemos nos calar frente às questões místicas.



Referências

ABBAGNANO, Nicolas. Dicionário de filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

WIKIPÉDIA. Ludwig Wittgenstein; www.wikipedia.org, 2012.

MARGUTTI PINTO, P. R. A religiosidade mística em Wittgenstein. www.ihuonline.unisinos.br, 2012.

______. Iniciação ao silêncio: uma análise do Tractactus de Wittgenstein como forma de Argumentação. In: OLIVEIRA, Adriano José de. A sublimidade do inefável: o místico no Tractactus Logico-Philosophicus de Ludwig Wittgenstein. Belo Horizonte: FAJE, 2009.

OLIVEIRA, Adriano José de. A sublimidade do inefável: o místico no Tractactus Logico-Philosophicus de Ludwig Wittgenstein. Belo Horizonte: FAJE, 2009.

SILVA, Jeferson Luis da. Filosofia da linguagem: Ludwig Wittgenstein. www.jeferson.Silva.nom.br, 2012.

SPICA, Marciano Adílio. Místico versus misticismo: reflexões sobre o místico de Wittgenstein em comparação ao Misticismo religioso caracterizado por James. Princípios, v.17, n.27, jan./jun. 2010, p.113-136.

______. Observações sobre Deus e ética em Wittgenstein. Sape, v.9, n.3, set. 2010, p.119-131.

 WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractactus Logico-Philosophicus. São Paulo: Edusp, 2001.



* Graduando em Filosofia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). E-mail: mcello90@hotmail.com
** Graduando em Filosofia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).E-mail: viniciusmalta@ig.com.br

[1] Cf. ABBAGNANO. N., Na filosofia contemporânea Wittgenstein, na conclusão do Tractactus Logico-Philosophicus (1922), Admite a existência do Inefável.:“Realmente o inexprimível existe. Ele se mostra, è aquilo que é místico. (Tractactus, 6.522).
[2] Cf. MARGUTTI, P. Ocorre que Engelmann encontrou certa vez um poema de um poeta alemão pouco conhecido, chamado Uhland . Esse poema fala sobre um conde que lutou nas Cruzadas e que, numa determinada ocasião, encontrou um cipreste pequeno no front. Pegou um galho da planta e prendeu-o ao seu capacete, usando-o nas batalhas. Quando retornou para casa, o cipreste foi plantado e cresceu, virando uma árvore. O poema termina com o conde já idoso, sentado embaixo dessa árvore que havia plantado. Engelmann ficou impressionado com o texto, e fez um comentário com Wittgenstein a respeito. O filósofo concordou com a avaliação de Engelmann e, ao responder, afirmou que o inexprimível se mostra de maneira inexprimível naquilo que é expresso.

17 de fevereiro de 2012

...?!

 Só você pode fazer este risco . Só você!



Mais como você se vê?
 Há muito mais em seu interior. Você pode tudo, basta acreditar!
 Deus disse que você pode e é isso que importa.


 Faça sua parte. Se levante do chão e se mostre ao mundo. Não há tempo para lamentos.
Pare, pense,reflita suas ações.


Mais nunca se esqueça que:

"Os soldados de elite é que são condecorados
Os valentes corajosos é que são lembrados
Quem não tem pegada nunca nem é citado
Se o nome não ficar escrito então é apagado." (P.Luo)


Enfim, Viva! Curta, sorria, corra, brinque, sinta, faça, lute, vença. Seja feliz!
Cuide da sua alma para que seu corpo resplandeça vida.
Eu quero aprender a por em prática tudo isso. Você vem comigo?